Realizado de quarta a sexta-feira passadas no Rio de Janeiro, o 8º Congresso Interamericano de Conservação em Terras Privadas trouxe ao conhecimento público um dado importante: existem hoje no país 841 Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) formalmente reconhecidas pelo Governo, que somam 625 mil hectares em áreas particulares protegidas.
O evento reuniu cerca de 250 participantes representando 18 países da América Central, América do Sul, Europa e Estados Unidos e 13 estados brasileiros, com o objetivo de promover a troca de experiências entre pessoas, empresas e organizações sobre a conservação da biodiversidade em propriedades privadas.
“Ao se realizar pela primeira vez no Brasil, o 8º Congresso Interamericano de Conservação em Terras Privadas fortalece e evidencia o que se convencionou chamar de ‘peso específico’ do país na conservação em terras privadas, destacando o Brasil como um pólo difusor e aglutinador no cenário americano”, disse, na cerimônia de abertura, o diretor de Programas do Instituto BioAtlântica e secretário-executivo do Congresso, Carlos Alberto Mesquita.
Maria Cecília Wey de Brito, secretária de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, reforçou sua crença no papel dos indivíduos na conservação ambiental e das oportunidades para os proprietários de terra de promover a conservação e receber benefícios por isso.
O evento promoveu oficinas visando divulgar as melhores práticas para conservação da biodiversidade em terras privadas, relacionando- as a temas como ecoturismo, concessões florestais, conservação com agricultura e agropecuária, serviços ambientais em reservas privadas, conservação corporativa e comunitária.
Carta do Rio
Ao final do evento, os representantes de 18 países das Américas e da Europa elaboraram a a ‘Carta do Rio’, em que enfatizam a necessidade de manutenção do ritmo de crescimento do território protegido por reservas particulares e de maior reconhecimento e recompensa pelos esforços privados de conservação da biodiversidade e dos recursos naturais nos diversos países do continente.
Atualmente, as reservas particulares são responsáveis pela proteção de cerca de 3,8 milhões de hectares de áreas naturais nos 17 países-membro da Aliança de Redes Latinoamericanas de Conservação Privada, promotora do evento. No total, a Aliança abrange cerca de 4.600 reservas privadas que oferecem bens e serviços ambientais fundamentais às atividades econômicas e à vida humana.
“Não nos deixemos distrair pela conjuntura econômica e preservemos nossa visão de longo prazo, dedicando os melhores esforços individuais e coletivos para garantir a oferta de recursos realmente fundamentais ao bem-estar das presentes e das futuras gerações”, diz o texto da declaração.
RPPN sob ameaça
O leitor Nemésio denuncia que a RPPN Fazenda Não me Deixes, em Quixadá (CE), de propriedade da família da escritora Rachel de Queiroz vem sendo invadida por caçadores e carvoeiros. “Estão dizimando flora e fauna”, escreveu ele.
A reserva, com trezentos hectares de extensão, protege uma área de caatinga arbórea e arbustiva e foi constituída pela própria Rachel, a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras.